País
Reciclagem de embalagens cresce apenas 1%, com Portugal a arriscar falhar metas europeias
Os portugueses estão a reagir ao apelo feito para uma maior consciencialização no que diz respeito à separação do lixo e reciclagem, ainda assim insuficiente. De acordo com Sociedade Ponto Verde (SPV) o material enviado para reciclagem, através da recolha seletiva, aumentou apenas 1% no primeiro semestre de 2026.
Ritmo abaixo do necessário
Um aumento pouco expressivo apesar do reforço do financiamento do sistema, que deverá atingir os 237 milhões de euros este ano, que faz acionar o alerta de que o ritmo de crescimento atual continua insuficiente para que Portugal cumpra as metas europeias de reciclagem de embalagens.
No primeiro semestre de 2026, foram enviadas para reciclagem 233.065 toneladas de embalagens provenientes da recolha seletiva, mais 2.071 toneladas do que no mesmo período do ano passado, o que representa um crescimento de apenas um por cento.
Perante estes resultados, a Sociedade Ponto Verde volta a defender medidas urgentes para reforçar a recolha seletiva e a triagem de resíduos, considerando que o desempenho atual coloca em risco o cumprimento da meta nacional de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado.
Segundo Ana Trigo Morais, diretora da SPV, "metade do ano já passou e os números mostram que, se continuarmos neste caminho, estaremos perante mais um ano em que não conseguiremos cumprir as metas de reciclagem de embalagens".
Vidro continua a preocupar
Entre os vários materiais analisados, o papel e cartão destacam-se pela positiva, com um crescimento de 5%, e o alumínio registou uma subida de 7%.
Entre os vários materiais analisados, o papel e cartão destacam-se pela positiva, com um crescimento de 5%, e o alumínio registou uma subida de 7%.
Contudo, o vidro mantém-se como um dos principais motivos de preocupação. A recolha deste material cresceu apenas 1%, um resultado que, segundo a SPV, continua a comprometer o cumprimento das metas específicas para esta fração.
Já as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) permanecem 1% abaixo dos níveis registados no período homólogo.
Plásticos com comportamentos distintosNo universo dos plásticos, a realidade é mais heterogénea. A categoria global apresenta uma ligeira quebra, influenciada sobretudo pela redução das chamadas "outras embalagens de plástico", que incluem, entre outras, embalagens de snacks, copos de iogurte e embalagens de frutos secos.
Ainda assim, algumas tipologias registaram desempenhos positivos. O filme plástico aumentou 8%, o polietileno de alta densidade (PEAD), utilizado em embalagens de detergentes e champôs, cresceu 3%, enquanto o PET, usado em garrafas de bebidas, avançou 6%.
Os dados surgem numa altura em que o financiamento do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) continua a aumentar. A SPV estima que o sistema receba este ano cerca de 237 milhões de euros, mais 25 milhões de euros do que em 2025. No ano passado tinha já sido registado um reforço histórico de financiamento, elevando o montante total para 212 milhões de euros.
Apesar deste esforço financeiro, a entidade considera que o investimento ainda não se traduz numa melhoria efetiva da qualidade do serviço prestado aos cidadãos, apontando problemas como a disponibilidade dos ecopontos, a frequência das recolhas e a eficiência da triagem.
Apesar deste esforço financeiro, a entidade considera que o investimento ainda não se traduz numa melhoria efetiva da qualidade do serviço prestado aos cidadãos, apontando problemas como a disponibilidade dos ecopontos, a frequência das recolhas e a eficiência da triagem.
Créditos foto: RTP
Portugal abaixo da meta europeia
A SPV recorda que Portugal fechou 2025 com uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, abaixo da meta europeia de 65%, entrando assim em situação de incumprimento.
Para inverter esta tendência, a entidade defende uma aposta mais forte na modernização da recolha seletiva, incluindo ecopontos inteligentes com sensores, sistemas porta-a-porta mais eficientes e modelos de pagamento associados à quantidade de resíduos produzidos, conhecidos como "pay as you throw" - um modelo de gestão de resíduos em que os cidadãos pagam pelo lixo de forma justa e direta, como o programa Volta.